Essa coisa de trabalhar das 9 as 5 com a galere está aumentando o meu contato com a cultura canadense, já que lá no trabalho a grande maioria do pessoal é nascida aqui. E dias desses estávamos conversando sobre casamento, noivado e o anel.
Do meu grupinho eu sou a mais velha – por pouco, gente, MUITO pouco! – mas as meninas já estão nos seus “late twenties” e moram com os seus respectivos (bem, pelo menos duas delas). Vamos chamar uma menina de …. menina#1 e a segunda, de menina#2.
Menina#1: mora há dois anos com o namorado que conheceu no colegial. High-school sweethearts, como dizem por aqui. Conheço o rapaz, um amor de pessoa. Vivem bem, querem casar, coisa & tal. Não casaram ainda por quê, perguntei eu com minha mente prática. É que ela está esperando o anel. E ele, quer fazer “tudo direitinho”. A-ham. (Prefiro não comentar aqui meu conceito de “tudo direitinho” porque vão me chamar de quadrada e antiquada. Sou.) Mas cada um no seu quadrado, né? Oi, 2008!
Menina#2: mora há uns tempos já (par de anos, talvez?) com o respectivo que já foi seu ódio mortal na vida e mais os DOIS FILHOS DELE. Também sonha em casar, quer ter o seu bebê e pams. Não casou ainda porque o respectivo já amarelou na porta de igreja em duas situações anteriores e ela não quer pressionar.
Mas ambas concordam: Sem anel não dá!
Anel (pra você, que ainda tá perdido na história): um anel com um diamante imenso. O maior que o moçoilo conseguir pagar (ou conseguir pendurar na dívida do cartão, na maioria dos casos). Uma coisa mais ou menos assim:

Menina#1 já me contou que desde criança sonha com o seu anel. E que uma vez teve um pesadelo, onde era pedida em casamento com um anel de doce. Um desse ó:

E ela vive na ansiedade, esperando o dia em que ele vai pedi-la em casamento.
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Agora me fala: como colocar na minha cabeça latino-americana que o anel é tudo isso? E por que burocratizar tanto o processo, né? É o costume, minha gente.
Precisavam ver a carinha de decepção quando eu contei que nem sequer fui pedida em casamento (quem conhece minha cara-metade sabe que romantismo passou longe; resolvemos em comum acordo que já era hora de mudar o estado civil e tudo resolvido). Elas “oh….“, como se eu tivesse acabado de contar que vi um cachorro ser atropelado… :-/
Enfim, eu não entendo porque tanta demora (já moram junto, numjá?, casa logo!) e elas não entendem como é que alguém pode casar sem um anel decente!
E isso é vida multicultural, gente. Coisas que só o Canadá faz por você!
*título: me casarei com você desde que…